Dizem que clássico é aquele livro que você precisa ler em cada momento da sua vida, e a cada leitura, ele te trará algo novo, diferente, que passou despercebido da vez anterior. Então, nestas férias, entre uma leitura e outra resolvi reler um clássico, a escolha foi por acaso, estava vendo um documentário sobre Machado de Assis e fui ler Dom Casmurro.
A primeira vez que li o trio de Machado foi ainda na época de secundarista, mal me lembrava do enredo, quisá da narrativa. A forma com que Machado narra seus livros é muito prazerosa, você se sente como um amigo do Autor, parece que ele está lhe confessando uma história, sabe aquele desabafo entre amigos? Então, ao ler Machado você se sente importante, único.
Interessante no livro é como o Catolicismo é tratado, promessas, missas, santos, seminário, padres, etc, no meu ver, um Catolicismo de fachada, onde o medo é maior que a fé, afinal, promessas são substituídas ao bel prazer dos personagens.
Ainda percebemos uma forte presença Escravista, chama-os de “Preto” como se fosse um objeto, e o eram, alguns inclusive estavam alugados. Até um agregado, figura comum daqueles tempos, é presença marcante no livro.
Caro leitor, não espere de mim uma resposta à dúvida cruel que atinge a todos os que leram Dom Casmurro. Nem mesmo os especialistas são unânimes, então, não me arriscaria a tamanha ousadia. Mas lanço minhas perguntas: Capitu traiu Bentinho com Escobar? Ou seria Bentinho que traiu Capitu com Sancha? Ou ainda, será que Bentinho traiu Capitu com Escobar?
Para aqueles que relutam ainda em ler Machado, não tenham medo, é muito gostoso tal leitura. Seu trio, Quincas Borba, Dom Casmurro e Brás Cubas, sem falar nas Crônicas e Poesias, verdadeiros clássicos da nossa literatura, leitura obrigatória.