
Sinceramente, já estou mais que cansado de ver o “caso Isabella” todos os dias e em todos os telejornais do país. Não se fala em outra coisa, e o pior, fica-se repetindo informações, especulando possibilidades. É a exploração econômica da tragédia. Links ao vivo, entrevistas exclusivas, acesso exclusivo a laudos e depoimentos e etc...
É claro que foi um caso chocante. Eu também tenho coração e fiquei pasmo com o acontecido. Mas e as “outras Isabellas” do Brasil? Na mesma semana deste caso uma criança foi jogada de um apartamento no nordeste. Mas por que não foi notícia? E as nossas crianças violentadas todas as noites nas periferias ou ruas da nossa cidade? E as meninas de treze anos que se vendem sua pureza por alguns trocados? E as crianças de rua? Os menores abandonados? Os explorados em carvoarias? Etc...
A violência só choca a classe média quando a violência é contra a classe média. Como diz no filme Hotel Ruanda, “eles vão ver a notícia na TV, ficarão chocados e voltarão a jantar!”. HIPOCRISIA. Não existe “clamor público”, este é construido quando interessa. Ninguém mais lembra da dengue no Rio, dos cartões corporativos, dos iraquianos mortos, dos tibetanos humilhados, dos palestinos dominados e etc... Crianças mortos brutalmente tem todo dia, mas como a Isabella é branquinha, bonitinha, é filha da classe média, seu pai é “bem de vida” e etc, logo isso choca alguns, que aproveitam e fazem chocar a todos os outros.
Aliás, relembrando outros casos de “clamor público”, quando a morte do João Hélio a imprensa pediu mais rigos do direito penal para com os adolescentes. Seria a solução. Quando a morte da Daniela Peres pediram a Lei dos Crimes Hediondos. Seria a solução. E agora, não ví ninguém ainda pedindo o fim da “cela especial”, afinal de contas, o suspeito (Pai) tem curso superior, Direito. Mas não, afinal, lei tem que ser dura com pobre e não com a classe média, aliás, a classe que faz as leis.
Olha, vou parar por aqui. Isso tudo está me irritando demais. Minha comoção para com a pequena Isabella está virando desprezo. Não por culpa dela, mas pelo sensacionalismo na nossa imprensa “chapa branca”, oportunista, golpista e etc...